VetLab Medicina Laboratorial Veterinária

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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Índice HOMA

O valor de HOMA tem sido amplamente utilizado para a avaliação da resistência à insulina em humanos e, recentemente, também foi aplicado para os estudos em cães e gatos. O valor de HOMA provou ser muito útil para a detecção precoce da resistência à insulina em estudos populacionais e na prática clínica, porque é fácil de determinar, preciso, e apenas requer a análise de uma única amostra de sangue.


Schnauzers miniatura com hipertrigliceridemia, muitas vezes têm evidência de resistência à insulina, tal como indicado pelo aumento basal de glicose. Estes animais aprsentaram em um estudo níveis elevados de HOMA.

Xenoulis PG, Levinski MD, Suchodolski JS, et al. Association of hypertriglyceridemia with insulin resistance in healthy Miniature Schnauzers. J Am Vet Med Assoc 2011;238:1011-1016.

Conclui-se que a medição do índice HOMA, pode ser usada na investigação clínica da resistência à insulina em gatos. Gatos com HOMA aumentados podem estar em risco de desenvolver intolerância à glicose e diabetes mellitus tipo 2. A detecção precoce desses gatos permitiria programas de intervenção preventivos, tais como a redução de peso, aumento da atividade física e modificações dietéticas.

Appleton DJ, Rand JS, Sunvold GD. Basal plasma insulin and homeostasis model assessment (HOMA) are indicators of insulin sensitivity in cats. J Feline Med Surg 2005;7:183–193.



Índice HOMA (homeostasis model assessment) / HOMA R (HR)

Material: 0,5ml de soro e 0,5 de plasma em fluoreto.

Condições de coleta: Jejum de 8 horas.

Método: Cálculo

Prazo: 3 dias.

Código: 829

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Beta Hidroxibutirato

Beta Hidroxibutirato - 'beta'-HBA -BHB


Material: 1,0ml de soro (caninos e felinos)

Condições de coleta: Jejum de 4 horas. Enviar ao VetLab no mesmo dia da coleta. Estabilidade: R – 12 horas e C - 6 meses

Outros laboratórios: Enviar congelado.

Método: Química seca
Comentários: Na rotina da clínica veterinária, o grau de cetonemia é normalmente estimado por meio da detecção de corpos cetônicos na urina, utilizando-se tiras reagentes que proporcionam uma estimativa semi-quantitativa dos corpos cetônicos. Esse método é capaz de detectar apenas a presença do acetoacetato (AA), mas não o beta-hidroxibutirato (BHB), que é o ânion cetônico predominante na cetoacidose diabética (sua concentração é aproximadamente três vezes maior do que a do AA). Com a instituição da terapia e melhora do quadro, ocorre à conversão do BHB em AA e, desse modo pode parecer ao clínico que, apesar da melhora clínica do paciente, a cetonúria esteja aumentando.

Portanto, a monitoração da cetonúria como método de avaliação do progresso clínico durante o tratamento da cetoacidose não é clinicamente útil. A mensuração do BHB no sangue pode ser uma alternativa à da cetonúria.

A mensuração quantitativa do 'beta'-HBA é um método acurado para o diagnóstico da cetose e cetoacidose diabética em cães.

Prazo: Mesmo dia.

Código: 752



Beta Hidroxibutirato - BOVINO

Material: 1,0ml de Leite Condições de coleta: Enviar ao VetLab no mesmo dia da coleta. Estabilidade: R – 12 horas e C - 6 meses

Outros laboratórios: Enviar congelado.

Método: Química seca semi-quantitativo

Comentários: A cetose é um transtorno comum nos rebanhos leiteiros, definida como uma desordem do metabolismo de carboidratos e gorduras, caracterizada pelo incremento de corpos cetônicos (acetona, acetoacetato, beta-hidroxibutirato) no sangue.

Quando o consumo calórico é reduzido e as necessidades energéticas aumentadas, a concentração de corpos cetônicos aumenta, podendo ocasionar a doença clínica conhecida como cetose .

Pode ser classificada como clínica ou subclínica. Na maioria dos casos é uma doença do tipo subclínica, podendo chegar até 34% dos casos, enquanto que os casos clínicos chegam apenas a 7%.

Os efeitos a longo prazo da cetose incluem a diminuição da produção de leite, um aumento do risco de desenvolvimento de outras enfermidades como o deslocamento de abomaso, e até mesmo diminuição da taxa de fertilidade.

Ao detectar a cetose antes dela se tornar clinicamente evidente, os produtores podem tomar atitudes que impeçam o desenvolvimento das manifestações clínicas e a perda de produtividade.

Interferentes:

• Vacas com mastite ou com alta contagem de células somáticas no leite (> 1.000.000) podem exibir um nível mais alto BHB.

• Uma amostra anormal de leite (sanguinolenta) pode altar os resultados do teste.

Prazo: Mesmo dia.

Código: 752

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Diabetes



Diabetes mellitus é das endocrinopatias mais comuns nos cães e gatos e pode ser fatal se não for diagnosticada e adequadamente tratada. Levando-se em conta o envelhecimento da população canina e o aumento da prevalência do diabetes que vêm ocorrendo nos últimos anos, seria esperado um aumento da participação do diabetes como causa de óbito. Entretanto, a melhoria da assistência veterinária e o aumento da esperança de vida dos diabéticos têm resultado em que esses animais venham a óbito, não do diabetes propriamente dito, mas sim de suas complicações crônicas, não figurando, portanto, como causa básica de óbito.



Os cães demoram de 2 a 4 dias para equilibrar a homeostasia de glicose após o início da administração de insulina ou após qualquer modificação do tipo ou posologia da insulina. Por isso eles não são criticamente monitorizados nos 2 ou 3 dias. A glicemia é determinada uma ou duas vezes à tarde para se identificar uma sensibilidade significativa às doses aplicadas.

Completado o período de estabilização, é importante a monitorização crítica da resposta de glicemia à insulina exógena.



De início, a reavaliação do cão diabético é recomendada uma vez a cada 7 a 15 dias até que se alcance um controle glicêmico satisfatório. Depois que o animal estiver razoavelmente estabilizado, sugere-se controles subsequentes a cada dois a quatro meses (Hoenig, 2002; Nelson, 1992).



Uma avaliação antes das reavaliações programadas ocorrerá em qualquer uma dessas situações: cães com sinais de hiperglicemia, glicosúria persistente, anorexia, apetite voraz, polidipsia, poliúria, cetonúria persistente ou qualquer doença concorrente.



1. Hemograma: pode haver uma discreta policitemia relativa se o animal estiver desidratado.

A presença de um processo infeccioso ou inflamatório concomitante pode ser a causa de uma possível leucocitose, com ou sem a presença de neutrófilos tóxicos ou degenerativos, ou um desvio à esquerda significativo.



2. Perfil bioquímico sérico: as atividades séricas de alanina amino transferase (ALT) e fosfatase alcalina geralmente estão aumentadas.

Estas alterações bioquímicas são decorrentes da lipidose hepática. A lipemia evidente ocorre devido ao aumento na concentração plasmática de triglicérides, colesterol, lipoproteínas, quilomícrons e ácidos graxos livres. A ascensão desses, se deve principalmente à queda no movimento dos triglicérides plasmáticos para os depósitos de gordura. Pode haver ainda uma pancreatite concomitante à obstrução dos ductos biliares.



As concentrações de uréia e creatinina estão aumentadas se houver insuficiência renal primária ou uremia pré-renal secundária e desidratação, fatores diferenciados por meio da avaliação da densidade específica da urina.



O colesterol apresenta suas concentrações plasmáticas elevadas no diabético tratado, porque a

insulinoterapia reduz a concentração plasmática de triglicérides, metabolizando as lipoproteínas de baixa densidade, ricas em triglicérides e quilomícrons, e o colesterol é um subproduto do metabolismo dos quilomícrons.



A presença de hiperlipasemia e hiperamilasemia pode ou não correlacionar-se com um quadro de pancreatite, porque também estão presentes em situações como a inflamação crônica e insuficiência renal. Estas enzimas devem ser interpretadas com cautela e na dúvida realizar o exame de lipase imunorreativa.



Um fator importante a ser considerado no desenvolvimento da Cetoacidose Diabética (CAD) é a hipovolemia, uma vez que, quando a glicose excede o limiar tubular renal de absorção, segue-se a diurese osmótica, com perda de glicose, eletrólitos e água.



O sódio pode estar baixo, normal ou aumentado, mas a maioria dos estudos demonstrou sódio baixo no momento do diagnóstico. A mudança de compartimento do fósforo e potássio do meio extracelular para o intracelular na presença de acidose metabólica e hipoinsulinemia, associada à perda desses íons pelos rins em decorrência da diurese osmótica e deficiência insulínica (a insulina é necessária para reabsorção normal de sódio, potássio, fósforo e cloreto pelas células epiteliais tubulares renais), ocasionará hipocalemia e hipofosfatemia. Hipomagnesemia não é um achado comum; não obstante, a concentração de magnésio deve ser monitorada sempre que possível, na presença de arritmias e/ou hipocalemia ou hipocalcemia refratárias.



Os fatores precipitantes da CAD podem ser de natureza infecciosa (respiratória, urinária, genital, cutânea, etc.) ou ser provocados por pancreatite aguda, administração de medicamentos diabetogênicos (glicocorticóides, acetato de megestrol), hiperadrenocorticismo, desidratação, anorexia, insulite imunomediada, amiloidose nas ilhotas pancreáticas e tratamento insulínico interrompido ou inadequado às condições do paciente.





Os objetivos primários do tratamento da CAD são a restauração do volume intravascular, correção da desidratação e dos distúrbios eletrolítico e ácido-base, e redução das concentrações de glicose sanguínea.

A fluidoterapia é um dos pontos-chave no tratamento da CAD, e as soluções de Ringer com

Lactato e NaCl 0,9% podem ser utilizadas, e a velocidade de infusão depende do grau de desidratação. Na ausência de insuficiência cardíaca ou insuficiência renal anúrica ou oligúrica, recomenda-se a administração de 15-20mL kg-1 h-1 ou 20% do déficit de fluido calculado na primeira hora de terapia, seguido de 30% do cálculo nas próximas quatro a cinco horas.

Os 50% restantes devem ser administrados nas 18 horas seguintes, de modo que o déficit seja completamente corrigido em 24 horas. Em casos de hiperosmolaridade, pode-se optar pela solução de NaCl a 0,45%. Concentrações de glicose sérica superiores a 500mg dL-1 representam alto potencial à insuficiência renal aguda em cães, fazendo-se necessário o emprego de fluidoterapia agressiva e monitoração do débito urinário. Fluidoterapia de manutenção deve ser instituída após a correção da hipovolemia, baseada no peso corpóreo e nas perdas futuras ([(Peso (kg) x 30) + 70]).



A hipocalemia é citada como potencial complicação em cães que apresentam vômito e anorexia. Faz-se necessária, portanto, a monitoração do potássio sérico durante o tratamento, pois este tende a diminuir com a terapia insulínica e com a correção da acidose metabólica em razão de a glicose carrear o potássio para o meio intracelular.



O bicarbonato pode ser administrado quando sua concentração sérica estiver inferior a 50% da normal (<12meq 7="7" a="a" estiver="estiver" inferior="inferior" l-1="l-1" neo="neo" o="o" ou="ou" ph="ph" quando="quando" sangu="sangu">
O fósforo, também pode ter sua concentração diminuída no tratamento da CAD, evidenciando sinais de disfunção plaquetária, diminuição da fagocitose, anormalidades neurológicas, hemólise e rabdomiólise.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

A importância do EAS

O exame rotineiro de urina é um método simples, não-invasivo, capaz de fornecer uma variedade de informações úteis em relação a patologias envolvendo os rins, o trato urinário e, por dados indiretos, algumas patologias sistêmicas.
Apesar de simples, diferentes técnicas encontram-se envolvidas na sua realização, em 3 etapas distintas:
- análise física,
- análise química,
- análise microscópica do sedimento.
Análise Física
Aspecto
O aspecto normal é límpido exceto nos eqüinos e coelhos, onde muco e cristais de carbonato de cálcio dão a ela uma aparência espessa e turva. Entretanto, uma ligeira turvação não é necessariamente patológica, podendo ser decorrente da precipitação de cristais e de sais amorfos não-patológicos.
A turvação patológica pode ser conseqüência da presença de células epiteliais, leucócitos, hemácias, cristais, bactérias e leveduras.
Pode ocorrer a presença de depósito por excesso de muco em função de processos inflamatórios do trato urinário inferior ou do trato genital, ou pela presença de grande quantidade de outros elementos anormais.
Cor
A cor habitual da urina é amarelo, o que se deve, em sua maior parte, ao pigmento urocromo. Essa coloração pode apresentar variações em situações como a diluição por uma grande ingestão de líquidos, que torna a urina amarelo-pálida. Uma cor mais escura pode ocorrer por privação de líquidos.
Portanto, a cor da urina pode servir como avaliação indireta do grau de hidratação e da capacidade de concentração urinária.
O uso de diversos medicamentos e a ingestão de corantes alimentares também podem causar alteração da cor da urina.
Há numerosas possibilidades de variação de cor, sendo a mais freqüente a cor avermelhada (rosa, vermelha, vermelho-acastanhada). A cor avermelhada pode acontecer na presença de medicamentos, hemácias, hemoglobina, metaemoglobina e mioglobina. As porfirias também podem cursar com coloração vermelha ou púrpura da urina.
Também é freqüente a cor âmbar ou amarelo-acastanhada, pela presença de bilirrubina, levando a urina a se apresentar verde-escura em quadros mais graves.
Densidade
A densidade ajuda a avaliar a função de filtração e concentração renais, bem como o estado de hidratação do corpo. Depende diretamente da proporção de solutos urinários presentes (cloreto, creatinina, glicose, fosfatos, proteínas, sódio, sulfatos, uréia, ácido úrico) e o volume de água.
Densidades diminuídas podem ser encontradas na administração excessiva de líquidos por via intravenosa, reabsorção de edemas transudatos, insuficiência renal crônica, quadros de hipotermia, piometra, hiperadrenocorticismo, hipoadrenocorticismo, Síndrome de Fanconi, diabetes mellitus e diabetes insipidus.
Densidades elevadas podem ser encontradas na desidratação, diarréia, vômitos, febre, diabetes mellitus, glomerulonefrite, insuficiência cardíaca congestiva, proteinúria, uropatias obstrutivas e no uso de algumas substâncias, como contrastes radiológicos e sacarose.
Análise Química
Cetonas
A acetona é um subproduto do metabolismo da gordura e dos ácidos graxos que proporciona fonte de energia para as células quando as reservas de glicose estão exauridas ou quando a glicose não pode penetrar nas células devido à falta de insulina.
A acetona que passa para a corrente sangüínea é quase totalmente metabolizada no fígado. Quando é formada em velocidade maior do que o normal, é excretada na urina.
Diabetes Mellitus é a doença que classicamente está associada a cetonúria. O jejum ou a dieta podem determinar o aparecimento de acetona na urina.
Bilirrubina
Aumentadas nas situações em que ocorre o aumento da bilirrubina sérica conjugada e sua conseqüente presença na urina. Portanto, valores elevados podem ser encontrados em doenças hepáticas e biliares, lesões parenquimatosas, obstruções intra- e extra- hepáticas, neoplasias hepáticas ou do trato biliar. Os cães apresentam baixo limear renal para bilirrubina e as reações de Traço ou 1+ podem ser consideradas normais em urinas com densidade superior a 1.020. Alguns casos de doença biliar obstrutiva crônica podem cursar com níveis alterados de bilirrubina sérica e ausência de bilirrubina na urina. Falso-negativos podem ser induzidos pelo uso de ácido ascórbico e exposição da urina à luz intensa por longo tempo.
Sangue Oculto
Este teste detecta a presença de hemoglobina e mioglobina. A presença de hemoglobina na urina pode ser proveniente de diferentes estados de hemólise intravascular, em que uma quantidade excessiva de hemoglobina satura a capacidade de ligação com a haptoglobina. Nessas condições, fica livre no plasma, sendo filtrada pelo glomérulo e em parte reabsorvida pelo sistema tubular. O restante é excretado na urina.
A outra causa é a presença de hemácias liberadas no trato urinário por pequenos traumas, exercícios extenuantes ou patologias das vias urinárias, em que as hemácias são lisadas, liberando hemoglobina.
Glicose
A glicose presente na urina reflete os níveis séricos da glicose associados à capacidade de filtração glomerular e de reabsorção tubular.
A glicosúria pode ser causada tanto pelo diabetes mellitus como por outras patologias, como na síndrome de Fanconi e nos quadros de hiperglicemia de outras origens que não a diabética. O limiar renal da glicose é de 180mg/dl no cão e de 280 mg/dl no gato.
Nitrito
A presença de nitrito na urina indica infecção das vias urinárias, causadas por microrganismos que reduzem o nitrato a nitrito. O achado de reação positiva indica a presença de infecção nas vias urinárias, principalmente por bactérias entéricas.
pH
Avalia a capacidade de manutenção renal da concentração de íons hidrogênio no plasma e líquidos extracelulares. Participando do equilíbrio ácido-base, os rins, quando em funcionamento normal, excretam o excesso de íons hidrogênio na urina. Portanto, o pH da urina reflete o pH plasmático e é um indicador da função tubular renal.
O pH da urina depende da dieta. Os animais herbívoros têm pH alcalino, e os carnívoros e onívoros podem variar de alcalino a ácido, dependendo da quantidade de proteína animal presente na sua dieta. Valores elevados podem ser encontrados na alcalose metabólica ou respiratória, infecção das vias urinárias, especialmente por microrganismos que utilizam uréia (Proteus e Pseudomonas sp.), hipocalemia, e ingestão de bicarbonato.
Valores diminuídos podem ser encontrados em acidose metabólica e respiratória, perda de potássio, dieta rica em proteínas, infecção das vias urinárias por Escherichia coli e febre. O uso de anestésicos e de ácido ascórbico pode diminuir o pH urinário.
Proteínas
Em animais normais, uma pequena quantidade de proteína é filtrada pelo glomérulo, mas é reabsorvida por via tubular.
O aumento da quantidade de proteínas na urina é indicador inicial de patologia renal. Entretanto, não são todas as patologias renais que cursam com proteinúria, a qual não é uma condição exclusiva de doença renal, podendo aparecer em patologias não-renais e em algumas condições fisiológicas. O exame de proteína urinária realizado através da tira é apenas um teste de rotina, para melhor avaliação da proteinúria é necessário o exame de relação proteína urinária/creatinina urinária (PU/CU).
Na ausência de uma proteinúria pré-renal, hemorragia, ou inflamação, valores de PU/CU <0,5 são considerados normais, entre 0,5 e 1,0 é questionável para uma proteinúria renal e valores > 1,0 indica proteinúria renal.
Certos fatores extra-renais podem causar uma pequena proteinúria transitória por aumento na permeabilidade glomerular (ex: febre, doença cardíaca, choque e exercícios), por isso uma relação PU/CU entre 0,5 – 1,0 deve ser repetida em duas semanas.
Altas concentrações de proteínas de baixo peso molecular no sangue podem passar através dos glomérulos e causar proteinúria, como a proteína de Bence-Jones (mieloma).
Alguns cães e gatos em estágio terminal da doença podem apresentar o teste normal, devido ao fato de a proteinúria poder decrescer de acordo com a perda do número de néfrons funcionais.

Análise Microscópica do Sedimento
Células Escamosas
É comum o achado de algumas células epiteliais escamosas. A maioria não tem significado clínico, representando uma descamação de células velhas do revestimento epitelial do trato urinário. O achado de células com atípicas nucleares ou morfológicas pode indicar a presença de processos neoplasicos necessitando de investigação específica
Hemácias
Podem estar presentes em pequena quantidade na urina normal. A presença de hematúria indica lesões inflamatórias, infecciosas ou traumáticas dos rins ou vias urinárias. O exercício extenuante pode levar a hematúria discreta.
A forma da apresentação das hemácias, segundo alguns autores, pode indicar sua origem, servindo como um diagnóstico diferencial de hematúrias de origens glomerular e não-glomerular. Quando se apresentam em sua forma esférica habitual (isomorfas), seriam de origem mais distal no trato urinário; quando crenadas (dimórficas), teriam origem glomerular.
Leucócitos
Podem estar presentes em pequena quantidade na urina normal. Normalmente neutrófilos. Quantidades aumentadas indicam a presença de lesões inflamatórias, infecciosas ou traumáticas em qualquer nível do trato urinário.
Cristais
São um achado freqüente na análise do sedimento urinário normal, raramente com significado clínico e com ligação direta com a dieta.
Alguns cristais representam um sinal de distúrbios físico-químicos na urina ou têm significado clínico específico, como os de cistina, biurato de amônio, oxalato de cálcio monoidratado e estruvita. Podem também ser observados cristais de origem medicamentosa e de componentes de contrastes urológicos.
A cistina está ligada a um urólito de cistina. O biurato de amônio sugere insuficiência hepática. Os cristais de estruvita estão normalmente relacionados a infecções por bactérias produtoras de urease. E o oxalato de cálcio monoidratado ocorre com a intoxicação por etilenoglicol.
Apesar de não existir uma relação direta entre a presença de cristais e o desenvolvimento de cálculos, alguns autores apontam a existência de diferenças morfológicas entre os cristais dos pacientes que desenvolvem calculose com uma apresentação de formas maiores, agregadas e bizarras.
Cilindros
São elementos exclusivamente renais compostos por proteínas e moldados principalmente na luz dos túbulos contornados distais e túbulos coletores.
Indivíduos normais, principalmente após exercícios extenuantes, febre e uso de diuréticos, podem apresentar pequena quantidade de cilindros, geralmente hialinos.
Sua formação é influenciada pelos elementos presentes no filtrado e pelo tempo de permanência dentro do túbulo. Nas doenças renais, se apresentam em grandes quantidades e em diferentes formas, de acordo com o local da sua formação.
Os mais comuns são os cilindros hialinos. São compostos principalmente pelas proteínas de Tamm-Horsfall, considerados normais em pequenas quantidades e em maior quantidade em situações como febre, desidratação, estresse e exercício físico intenso.
Os cilíndros podem estar presentes em diferentes patologias como os hemáticos (doença renal intrínseca), leucocitários (pielonefrites), de células epiteliais (lesões túbulos renais), granulosos (doença renal glomerular ou tubular e algumas situações fisiológicas) e céreos (insuficiência renal, rejeição a transplantes e doenças renais agudas e estase do fluxo urinário).
Leveduras e Fungos
Em geral, a presença de leveduras e fungos no sedimento urinário indicam contaminação. Micose sistêmica pode resultar em elementos fungicos na urina. Uma amostra obtida por cistocentese deve ser utilizada para a confirmação do achado. Um resultado positivo deve estar associado à manifestação clínica como por exemplo espondilite, corticóides ou diabetes.
Material: 10ml de urina.
Condições de coleta: Coletar preferencialmente por cateterização ou cistocentese. Enviar ao VetLab o mais rápido possível.
Observações: O ácido ascórbico (Vitamina C) pode causar um falso negativo na leitura de glicose com a fita. Proteinúria e/ou glicosúria de 3+ podem provocar um falso aumento na densidade urinária.
Prazo: mesmo dia

domingo, 18 de maio de 2008

Diabetes

Há vários fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de diabetes mellitus (DM) em cães e gatos. Consequentemente, quase qualquer idade ou raça pode ser afetada. No entanto, DM ocorre mais comumente em cães de meia idade das raças poodle, rottweiler, setter e labrador .

Fisiopatologia
As causas e contribuintes para um estado de DM são numerosas e uma revisão detalhada está fora do âmbito deste blog. Tal como uma generalização, as causas mais comuns de DM produzem uma deficiência relativa ou absoluta de insulina através de combinações de redução da produção de insulina e/ou diminuição da sensibilidade à insulina. Causas comuns incluem autodestruição de células das ilhotas pancreáticas, aumento da concentração de glicocorticóides endógenos ou exógenos, e aumento da circulação de progesterona e hormônio do crescimento.

Testes de diagnóstico
Demonstração de glicosúria concomitante a hiperglicemia persistente no jejum confirmam o DM.
Entretanto, hiperglicemia pode ser causada por estresse e outras doenças, o que pode complicar o diagnóstico de DM, sobretudo em gatos.
Para uma melhor avaliação é recomendado a dosagem de frutosamina.
A frutosamina é uma proteína glicada e reflete a "média" da glicemia durante as últimas 2-3 semanas.

Testes de Acompanhamento
Se o monitoramento está sendo realizado com dosagens de glicose no sangue, as amostras de sangue devem ser colhidas seis horas após a administração da insulina. No entanto, a monitorização terapêutica dos doentes diabéticos pode ser complicado, especialmente nos gatos em que a hiperglicemia de estresse torna a rotina de medição de glicemia problemática. A avaliação clínica de estabilidade é de extrema importância. Para além da medição de glicose do sangue e na urina, a dosagem da frutosamina pode ser usada para melhorar avaliação do controle glicemico.

Notas
Gatos com hipertireoidismo podem apresentar baixa de frutosamina mesmo quando diabéticos.
Animais em uso de vitamina C podem apresentar falso negativo para glicose no teste de urina (EAS).
Cães podem ser acompanhados através do exame de hemoglobina glicada, que reflete uma “média” de glicose dos últimos dois meses.